Como aprender com os micos da carreira de escritor?

 

 

Uma das respostas a pergunta do título vou dar agora mesmo: escrever sobre isso já é meio caminho andado pra aprendermos com os micos da carreira de escritor. Veja bem, não vou te ensinar a não pagar micos, até porque a vida seria uma monotonia sem eles!

 

Além dos micos que paguei, vou falar aqui de mitos, de ego e de crenças que, no mínimo, me ensinaram e renderam boas risadas.

 

Te convido a te divertir comigo e a rir de mim também!

 

A minha paixão pela escrita começou desde pequena, no 1º Grau, quando eu era a única que vibrava quando a professora de Português ensinava sobre poesias e poetas.

 

Me lembro, como se fosse hoje, do brilho que saía dos meus olhos e da vontade de saber mais. Aí, comecei a presentear os familiares com poemas do Vinicius de Moraes (até hoje, meu poeta favorito).

 

Não sei se eles gostavam dos presentes, mas eu amava presentear assim! Talvez porque me fizesse sentir um pouco escritora também. Vai saber…

 

Aí veio o 2º Grau, com as aulas de literatura e de Português, que me traziam uma luz no fim do túnel diante da obrigação/punição de ter que aprender Matemática e Física.

 

Certo dia, a professora de Português nos passou a tarefa de criar uma redação. Escrevi sobre o poder das palavras. A minha redação foi escolhida para fazer parte de um livro com os melhores textos daquele ano. Foi nesse dia que nasceu meu ego de aspirante a escritora.

 

Anos depois, na faculdade de Publicidade e Propaganda, as aulas de Português começaram a inflar esse ego. As correções cheias de elogios + críticas construtivas me davam força pra realizar esse sonho de escrever profissionalmente.

Nesse período, pra não dizer ínterim, escrevi 2 “livros” de “poesias”. As aspas falam por si só.

 

Mico 1:

Quando eu já trabalhava como redatora em uma agência de Publicidade, paguei o 1º mico.

 

Tive a ideia de enviar por e-mail um texto GIGANTESCO que escrevi sobre as letras. Enviei para a minha ídola da época (e de agora), a Martha Medeiros. Ela escreve até hoje uma coluna no Jornal Zero Hora com suas crônicas.

 

Aliás, meu sonho sempre foi esse: ganhar a vida escrevendo sobre o que eu penso e ainda ser reconhecida. O sonho dos sonhos!

 

Mas o problema não foi ter tido a iniciativa de dar a minha cara à tapa por uma das melhores escritoras do país. O problema foi a expectativa que eu depositei nesse processo, entende?

 

Ela ainda se deu o trabalho de me responder gentilmente, querida.

 

Mas o que eu esperava de verdade?

Que ela dissesse: nossa, descobri um talento escondido, onde você estava até agora, guria? Me envia teus textos que vou publicar na minha coluna. Hahaha! É mais ou menos por aí que meu ego de aspirante a escritora esperava chegar.

 

Mico 2:

Outra coisa que já fiz foi enviar os meus textos para amigos próximos pedindo que eles lessem, mas sem identificar que a autora era euzinha. Aí esperava a reação deles, escondida.

 

Fazia isso pra testar a aceitação das pessoas diante dos meus textos. Insegurança? Medo de me expor? As duas coisas.

Tudo isso faz parte, mas já consigo lidar melhor com esse risco da não aceitação, que hoje é traduzida pela ausência de likes e visualizações.

 

Por quê?
Porque descobri que posso escrever e me expor sem medo de ser feliz. Descobri que devo escrever independentemente dos resultados externos (likes, visualizações etc). Porque os resultados internos já estão acima de qualquer expectativa que eu pudesse ter antes de começar essa aventura maravilhosa!
 

Mico 3:

Um belo dia, quando viajei com meu marido pra comemorar o nosso primeiro ano de casados, fizemos um roteiro turístico que incluía a visita a algumas propriedades familiares de imigrantes alemães.

 

E uma delas me marcou profundamente. O bisneto ou tataraneto de um imigrante que veio da Alemanha pra desbravar o rio Grande do Sul contou a história da família emocionado. Imagina se eu não chorei junto!

 

Resumindo, ele contou que o seu tataravô veio com um filho e deixou a esposa e mais 2 filhos na Alemanha. O plano era preparar tudo aqui antes para que o restante da família pudesse vir com mais segurança. Mas depois vieram as guerras e eles nunca mais se viram novamente!

 

Esse NUNCA MAIS foi forte demais pra mim. Adotei aquela história e paguei meu 3º mico.

 

Essa aspirante a escritora fez contato com a família e foi lá falar com eles, se convidando para escrever o livro dessa história fantástica.

 

Mandei fazer um livro lindo com o 1º capítulo já escrito. Aí liguei pra eles para combinar de entregá-lo e ouvi que um primo deles iria escrever a história. Quase senti a água fria sobre a minha cabeça!

 

Detalhe: eles já tinham me comentado que esse parente ficou de escrever o livro, mas meu ego de aspirante a escritora não quis acreditar e me encheu de esperanças e expectativas, mais uma vez. E o pior é que nunca entreguei o livro.

 

Mico 4:

Um dia mandei uma mensagem pra uma escritora muito famosa, perguntando sobre um curso que ela iria ministrar.

Falei que eu tinha uma empresa que criava livros para outras empresas e famílias. A empresa, até aquele momento, era um site e uma vontade louca de escrever.

 

Aí ela me perguntou: não entendi como tu abriu uma empresa de criação de livros sem nunca ter escrito um livro antes.

Pausa para interpretações.

 

Confesso que esse foi um dos motivos pra eu ter guardado essa empresa/ideia na gaveta. Mas não foi o único. Não era o momento para esse projeto. Segui com o objetivo de escrever, mas não livros. Não ainda.

 

Mico 5:

O 5º mico ainda não aconteceu e vai acontecer agora. Vou perguntar por aqui mesmo a um dos escritores que mais estão me inspirando a escrever, o Dimitri Vieira, como fazer pra que os meus textos tenham mais de 10 curtidas.

 

Sei que acabei de falar que estou focando nos resultados internos, mas quem não gosta que seus textos alcancem mais pessoas?

 

Dimitri, me dá algumas dicas, vai?

 

O que aprendi com esses micos?

 

. Que os nossos sonhos são ingênuos, puros, não conhecem os filtros da vergonha e do medo. Só querem ser realizados, custem quantos micos custarem.

. Que é melhor pagar micos do que não fazer nada e reclamar que nada acontece, porque o nada sempre acontece se você ficar inerte.

. Que os micos vão ganhando graça na mesma proporção que o tempo passa (até porque, na hora, são tensos demais).

. Que os micos ficam experientes e nos ensinam mais do que qualquer professor, aula, palestra ou livro!

. Que o futuro brilhante só ofusca o presente. Em outras palavras, as expectativas com os resultados da escrita só me inibiam a escrever.

. O prazer da escrita é o próprio ato, é agora e é único! E altamente terapêutico!

 

E aí, quais foram os seus micos na carreira ou na escrita e o que você aprendeu com eles?

 

 

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